sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Inspiração

"O estado da sua vida nada mais é do que o reflexo do estado da sua mente."
(Wayne Dye)


Hoje não dissertarei sobre pensamentos, momentos ou opiniões. Hoje é simples, apenas algumas palavras, juntas, uma atrás da outra, fazendo sentido... Ou não.

Espero que gostem. :)

E um bom final-de-semana para todos nós.


Silêncios

slapt
BUM!
trim-trim

BANG!
clic
toc toc

piii
oinc oinc
crec

haha
vrummm
ohhhh

Onomatopeias.
(surgem, espantam, colorem).
E eu sigo assim,
apenas,
ouvindo.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

É como mergulhar num rio

Hoje eu acordei com vontade de ontem.
Hoje me deu vontade de dormir mais um pouco.
Me deu vontade de vestir uma roupa de verão, em pleno inverno.
Me deu vontade de sair numa foto histórica do HC.
Me deu uma vontade repentina de ligar pra alguém e ouvir uma voz reconfortante.
Hoje eu tive vontade de comer uma torta de chocolate de almoço.
Também quis bater papo com um estranho, na fila do ambulatório.
Tive vontade de dançar, também.
Hoje me deu vontade de ligar pra um amigo e convidar pra um café.
E a vontade de escrever?
De repente me deu vontade, hoje, de chorar.Me deu vontade de desmarcar compromissos.
Hoje me deu vontade de saudade - muita saudade.
Hoje eu quis perguntar pro rapaz simpático da Oftalmo: Como é o seu nome?
E a vontade que deu de apertar a mão do reitor?
E me deu uma vontade tão grande de voar pra longe, bem longe.
Me deu vontade, no setor de Cirurgia Geral, de perguntar: O Dr. André está?
Tive vontade de andar pelos corredores do Hospital de Clínicas e conhecer um pouco mais do hospital, do meu hospital.
E quis acabar com o choro daquele neném, na fila da pediatria.
Eu também tive vontade de conhecer novos caminhos, novos lugares da cidade.
Eu também tive vontade de um beijo.
E hoje me deu uma vontade louca e irrepreensível de comer um Passatempo. E eu fui lá e comi.

domingo, 1 de agosto de 2010

Às vezes, se eu me distraio...

Semana recomeçando!

Amanhã será meu primeiro dia no Hospital de Clínicas da UFPR. Quem me imaginaria naquele lugar, algum dia, 5 anos atrás? Melhor, quem me imaginaria lá 2 meses atrás? Eu teria apostado com qualquer um, dizendo que NUNCA faria isso.

Mas começo amanhã, no setor de Bacteriologia e Urinálise. E começo de bom grado, ansiosa, quase realizada. Será difícil, pois terei que correr atrás de conteúdos nos quais eu passei direto. Contudo, certamente serei uma profissional melhor e mais completa após essa experiência.

E, também, vou aprender a lidar com meus medos, meus defeitos. É importante isso, não é? Pro crescimento. Sei que, em alguns momentos, eu vou fracassar. Mas não me arrependerei por ter tentado! Não pensarei no "se". Andei vacilando os últimos tempos, e apanhei por isso. Hoje não vacilo mais. Hoje estou feliz, sou feliz, me fazem feliz. :)

Desculpe o post sobre a minha vida, sobre os meus pensamentos. Estou me redescobrindo, aos poucos, colocando meus pés no chão. Meu caderninho de anotações, por enquanto, fica no bolso. Perco a razão ao falar sobre os outros, sobre o mundo, quando eu me apresento com uma confusão de pensamentos e desejos.



Fico aqui com uma música bonita, da minha infância, de recomeço; de um cd do qual eu não consegui me desfazer.

A Arca de Noé 
(Vinicius de Moraes)

Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata

O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata

E abre-se a porta da arca
Lentamente surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Vendo ao longe aquela serra
E as planícies tão verdinhas
Diz Noé: que boa terra
Pra plantar as minhas vinhas

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante

E de dentro de um buraco
De uma janela aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta, e o tigre - "Não"

A arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Entre os pulos da bicharada
Toda querendo sair

Afinal com muito custo
Indo em fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida

Longe o arco-íris se esvai
E desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Erguem-se os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
Em meio à noite calada
Ouve-se a fala dos bichos
Na terra repovoada

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O que há de errado

Como sempre acontece... Bem, na verdade, o sempre é muito dramático. Comecemos de novo.

Como já me aconteceu antes, as músicas da minha querida Legião Urbana me expressam de uma maneira única. Mas sei que não sou a única a se deparar com situações em que letras melancólicas, raivosas ou amorosas definem sentimentos que nem eu sei quais são. Dessa vez, no momento em que passo, retiro uma música do álbum "A Tempestade", talvez o mais sombrio de todos os lançados sob a bandeira do "Legião Urbana". Queria retirar alguma música do alegre "Descobrimento do Brasil" ou mesmo do saudoso show ao vivo "Como é que se diz eu te amo". Mas o momento pede outro álbum.

O momento é este. Esta tempestade de descobrimentos, de decepções e de felicidades. Uma chuva de verdades, com raios de atitudes narcisistas egoístas e alguns ventos de rancor. Duas semanas de humores indos e vindos de todos os cantos e meios de comunicação. De intrigas, xingamentos, lágrimas. De arrependimentos. De amor. De amizade.

Agradeço à diversão (e, aqui, uso minha crase como gostaria, pois sou grata única e exclusivamente à diversão). Agradeço por ela me ensinar que nem tudo são flores, que é preciso sofrer para curar um machucado - e que, fatalmente, esse sofrimento causará outros machucados, e assim vamos vivendo e aprimorando nossos espíritos e nossa consciência. Agradeço pelos ensinamentos.

Já disse a letra: 

"O mal do século é a solidão 
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição"

E que maior verdade? Nossas atitudes são guiadas pelo nosso desejo de sermos queridos, amados, desejados, olhados ao menos. Seja por conseguir aquele emprego que sempre desejamos (e o desejamos por quê?), seja por ir a um jantar com um velho amigo. E este desejo é tamanho, que não reparamos no mal que fazemos ao próximo, desde que sejamos beneficiados.

Mesmo pertencendo ao seu álbum mais desesperador, Renato Russo demonstra não ter desistido da vida, das pessoas.

"E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim 
(...)
E o que disserem 
meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim"

Com tudo isso, e todos esses meses desde que a tempestade começou, percebi que espero demais da vida, das pessoas. Mas "Estamos vivendo / E o que disserem / Os nossos dias serão para sempre". Não, não vou desistir. Agradeço à nova chance que me foi dada, ao recomeço.

Por vezes eu falharei, mas não me julgue tão severamente. Aprendi algo valioso - com tudo isso, e tudo o mais: eu sei dizer "me desculpe"

Então: me desculpe. e Obrigada.


ESPERANDO POR MIM (Legião Urbana)

Acho que você não percebeu
Que o meu sorriso era sincero
Sou tão cínico às vezes
O tempo todo
Estou tentando me defender
Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria
arrogância
Esperando por um pouco de afeição
Hoje não estava nada bem
Mas a tempestade me distrai
Gosto dos pingos de chuva
Dos relâmpagos e dos trovões
Hoje à tarde foi um dia bom
Saí prá caminhar com meu pai
Conversamos sobre coisas da vida
E tivemos um momento de paz
É de noite que tudo faz sentido
No silêncio eu não ouço meus gritos
E o que disserem
Meu pai sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Minha mãe sempre esteve esperando por mim
E o que disserem
Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim
E o que disserem
Agora meu filho espera por mim
Estamos vivendo
E o que disserem
os nossos dias serão para sempre

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Reviravoltas

Só pra dizer. Voltarei a escrever neste pequeno diário virtual... assim que minha inspiração permitir. =) E sem desculpas!

É uma promessa de meio de ano. E uma comemoração aos últimos acontecimentos. ^^

Fica assim, então.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como uma onda no mar

Sabe o mar?

Pois então:
ele vai... mas volta (mas nunca sabemos quando, e nem como).

Hoje eu tô afim de Luis Fernando Veríssimo.
Vai aí um conto de terror, pras noites solitárias dos desavisados.

---

Sozinhos

Esta idéia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a idéia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.
- Ronca.
- Não ronco.
- Ele diz que não ronca - comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.
Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.
- Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer - diz ela. E em seguida tem a idéia infeliz. - É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.
- Humrfm - diz o velho.

Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. Às idéias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias idéias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba. Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

- Rarrá! - diz a velha, feliz.
Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!
- Rarrá! - diz o velho, vingativo.
E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio - por causa dos roncos - não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado.

"Estão prontos?"
"Não, acho que ainda não..."
"Então vamos voltar amanhã..."

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alicia Keys ao som de Zeca Baleiro

"Ando tão à flor da pele..."

Os últimos dias foram regados com uma triha sonora diferenciada. Ao som de Alicia Keys, venho a este reduto desenhar umas palavras.

Se fosse um trabalho de faculdade dissertar sobre as reviravoltas que a minha vida deu (ou não) desde o início do mês, podia escrever toda uma monografia, defendê-la e retirar meu título de Mestre em Peripécias.

Mas deixemos de xurumelas.

Jardim

No crepúsculo, a casa é silenciosa. De quando em quando ouve-se risadas de diferentes tons vindas dos mais variados cantos. Um gato passeia, arrogante, com seu olhar instigador e avaliador, parecendo escolher um lugar quente e confortável para dormir.


A noite está fria e nebulosa. A mesa da cozinha está repleta de farelos de pão e guardanapos. Um grupo de amigos conversa, caladamente, sobre o último lançamento dos cinemas. O filme é Alice e o local, Curitiba.


A TV transmite um programa sobre produção e consertos de pneus, e há apenas um par de olhos interessados. Os outros presentes da sala dormem, digitam, leem ou simplesmente arranjam seus pensamentos em uma cidade distante. No quarto ao lado há alguém perdido, preocupado, ao telefone. Na sala de estudos ninguém estuda; o gato encontrou seu lugar. O caminho pelas escadas é sombrio, temeroso, apagado. Em vários quartos há pessoas dormindo o sono do descanso, de mais um dia vencido e vivido.

E, no jardim, finalmente, há alguém. Há alguém em pé, encarando a rua. Há alguém parado, sem notar e ser notado. Há alguém angustiado, perturbado, descalço. No jardim há alguém, simplesmente, pensando.