segunda-feira, 26 de julho de 2010

Reviravoltas

Só pra dizer. Voltarei a escrever neste pequeno diário virtual... assim que minha inspiração permitir. =) E sem desculpas!

É uma promessa de meio de ano. E uma comemoração aos últimos acontecimentos. ^^

Fica assim, então.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como uma onda no mar

Sabe o mar?

Pois então:
ele vai... mas volta (mas nunca sabemos quando, e nem como).

Hoje eu tô afim de Luis Fernando Veríssimo.
Vai aí um conto de terror, pras noites solitárias dos desavisados.

---

Sozinhos

Esta idéia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a idéia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim:

Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira.
- Ronca.
- Não ronco.
- Ele diz que não ronca - comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa.
Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar e sai cedo. Ficam os dois sozinhos.
- Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer - diz ela. E em seguida tem a idéia infeliz. - É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos.
- Humrfm - diz o velho.

Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. Às idéias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias idéias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar um sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo e deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha.

Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba. Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando.

- Rarrá! - diz a velha, feliz.
Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa, a velha também ronca!
- Rarrá! - diz o velho, vingativo.
E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio - por causa dos roncos - não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado.

"Estão prontos?"
"Não, acho que ainda não..."
"Então vamos voltar amanhã..."

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Alicia Keys ao som de Zeca Baleiro

"Ando tão à flor da pele..."

Os últimos dias foram regados com uma triha sonora diferenciada. Ao som de Alicia Keys, venho a este reduto desenhar umas palavras.

Se fosse um trabalho de faculdade dissertar sobre as reviravoltas que a minha vida deu (ou não) desde o início do mês, podia escrever toda uma monografia, defendê-la e retirar meu título de Mestre em Peripécias.

Mas deixemos de xurumelas.

Jardim

No crepúsculo, a casa é silenciosa. De quando em quando ouve-se risadas de diferentes tons vindas dos mais variados cantos. Um gato passeia, arrogante, com seu olhar instigador e avaliador, parecendo escolher um lugar quente e confortável para dormir.


A noite está fria e nebulosa. A mesa da cozinha está repleta de farelos de pão e guardanapos. Um grupo de amigos conversa, caladamente, sobre o último lançamento dos cinemas. O filme é Alice e o local, Curitiba.


A TV transmite um programa sobre produção e consertos de pneus, e há apenas um par de olhos interessados. Os outros presentes da sala dormem, digitam, leem ou simplesmente arranjam seus pensamentos em uma cidade distante. No quarto ao lado há alguém perdido, preocupado, ao telefone. Na sala de estudos ninguém estuda; o gato encontrou seu lugar. O caminho pelas escadas é sombrio, temeroso, apagado. Em vários quartos há pessoas dormindo o sono do descanso, de mais um dia vencido e vivido.

E, no jardim, finalmente, há alguém. Há alguém em pé, encarando a rua. Há alguém parado, sem notar e ser notado. Há alguém angustiado, perturbado, descalço. No jardim há alguém, simplesmente, pensando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Reflexões

Acordo. Espio. Planejo. Suspiro. Fecho. Ando. Penso. Escrevo. Grito. Como. Sento. Compro. Abro. Falo. Ligo. Ouço. Danço. Tomo. Vendo. Deito. Viro. Levanto. Critico. Bebo. Lavo. Pago. Leio. Arrumo. Visto. Corro. Caio. Calço. Vejo. Pego. Opino. Cozinho. Passo. Prendo. Corto. Apago. Sinto.

E parece que nada mudou.

---

"Se você acredita que pode, comece." (MM)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Negativas

Frase típica de blogueiros desaparecidos: "nossa, faz tempo!"

Mas não, não começarei com clichês. Não estragarei meu ano de 2009. Ele não começou com um ano novo atípico na Espanha, com direito a uvas, badaladas, ouro e champagne (e nada de pizza!).

Também não falarei das brigas, das decepções e das negativas. Não voltei um namoro, não pedi transferência pra um lugar distante, não tive que me mudar (mais uma vez), não chorei de saudades, não esperei. Não quis me esconder.

Não descobri que pessoas importantes estavam ao meu lado, há anos; não perdi um pai, um amigo, um namorado. Não chorei, não me desesperei. Não tive pensamentos maliciosos, não escrevi um livro, não cometi loucuras. Não tomei decisões. Não ri até doer a barriga, não quis que aquele momento permanecesse pra sempre.

Não participei de seleções, não fui vitoriosa, não descobri segredos. Não admiti erros, não perdoei, não viajei. Não perdi o foco, não me perdi, não me machuquei. Não fui triste, e também não fui feliz.

Não amei.

E, em matéria de negativas, meu ano de 2009 não teve nada.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Um tipo diferente de honestidade

Curitiba, 27 de outubro de 2008.

Segunda-feira.

Eu quero ir pra Áustria também.
(atualizando os dados: eu quero ir à Áustria e voltar à Londres, com a Bia. =P)

Fui na CI (Central de Intercâmbio) ver passagens do Eurail (passes de trem). Dia bonito, quente, nada pra fazer - além dos 7 trabalhos contabilizados para a semana. Resolvi que seria uma boa caminhada ir à pé, apreciando a movimentação que pode ter o centro de Curitiba numa segunda-feira.

iPod do ouvido, tênis e uma bermuda. Filtro solar, óculos de sol e bolsa no ombro. Just that simple.

Andando, feliz e contente, apreciando a música e o calor que me fazia começar a me arrepender de ter ido à pé (já sendo tarde demais para isso). Depois da música "Matchmaker, Matchmaker" (Fiddler on the Roof), começou a do Creed: Don't stop dancing. Como eu gosto dessa música, aumentei o volume. A few steps later, uma moça parou na minha frente.

Simplesmente não conseguia ouvir o que ela dizia. Tirei um dos fones e a ouvi "...notas grandes".

"Ahn?", foi o que saiu da minha boca.
Ela prontamente me pediu para não correr, que ela queria dinheiro.

Olha, dinheiro eu não tinha, mesmo. Pra ser bem sincera, eu tinha uma nota de 2 reais e uns trocados. Era bem o que eu precisava se quisesse pegar um ônibus. Eu tirei o outro fone e ela continuou:

"Vamos, moça..."

"Calma", respondi.

Tirei meu mp3 da bolsa, enrolei e a entreguei. Sabe o quê?

"Eu não quero suas coisas não!! Eu não tô te assaltando. Eu só quero dinheiro, em notas grandes."
"Mas esse é um iPod...", ainda insisti.
"Não moça, fica com isso. Eu tô morrendo de fome!"

Já fui abrindo minha carteira, dizendo que eu não tinha o dinheiro que ela me pedia.

"Me dá essa nota de 10 aí."
"Não tem nenhuma nota de 10 aqui, olha!" - e não tinha mesmo. Era um papel apenas.
Entreguei minha nota de 2 reais pra ela, e todas as moedas que eu tinha.

E ela se despediu: "Brigada, moça. Fica com Deus!"
E saiu.

Demorei uns 2 quarteirões ainda pra parar de tremer. Mas cheguei ao meu destino. Na CI o atendente queria me cobrar não menos de 25 euros pra fazer uma transação pela internet que eu mesma posso fazer. Eu realmente acho mais garantido fazer isso com intermédio de uma empresa, mas não por 25 euros.

Voltei pra casa e fim de história.

Agora, eu pergunto: quem queria me assaltar mesmo?

---

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

De dentro e de fora

"Não sou da universidade. Não vejo os defeitos, só as virtudes", disse o presidente.

Reportagem completa no link: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/09/03/ult105u6913.jhtm


Acho que é bem esse o problema... Ele não vê o defeitos, então não sabe que, pra abrir vagas nas Universidades (atitude que eu apoio, mas não dessa forma), é necessário melhorar, dentre outras coisas, a infra-estrutura. A exemplo do meu curso, onde serão abertas 6 novas vagas / semestre, totalizando 12 vagas ao ano (de 54 alunos / semestre, entrarão 60):

- os laboratórios alagam quando chove (se não é tomado o devido cuidado, os equipamentos - nada baratos - podem ser perdidos)
- turmas práticas de no máximo 12 alunos: para contemplar os 54 que entram, são necessárias pelo menos 5 turmas de cada disciplina. A disciplina de Farmácia Hospitalar, por envolver visitas semanais ao HC, em locais apertados (é um hospital público de grande porte, imaginem o tamanho das salas da Farmácia Hospitalar, do setor de dispensação, controle de qualidade, etc), comporta no máximo 6 alunos (7 se não tiver outro jeito!!) por turma... São pelo menos 8 turmas. Imagine um professor dar 8 aulas exatamente iguais toda semana!
- Sem contar que o número de turmas abertas NUNCA contempla o número de alunos que requerem a disciplina (isso pq é tudo cheio de pré-requisitos). Existem desistentes dos 54 que entram, mas ainda tem o PROVAR (reopção de curso / transferência) e os repetentes. Se teu rendimento acadêmico é um pouco mais baixo, lá por 6 ou 5,5, reze! É preciso fazer até promessa pra conseguir a vaga ou que o professor deixe que vc divida um microscópio, simplesmente pra não atrasar a formatura.

Quem leu o decreto, sabe que lá está escrito que serão abertas novas vagas para "o melhor aproveitamento da estrutura física já existente". Sei lá, pelo que eu aprendi em interpretação de texto, isso significa que a estrutura física está adequada (está?) e não necessita de investimento.

Mas tem coisa pior ainda nesse projeto. Uma das metas das Universidades que adotarem, é aumentar a relação professor:aluno pra 1:18 (atualmente aqui na UFPR é cerca de 1:10) significa aumentar o número de vagas, se minha matemática não falha. E eu já acho que 12 vagas anuais a mais desestruturarão bastante o curso. E o presidente ainda fala em contratação de professores (precisa, mesmo!)... Bem, quer dizer que vai ter que aumentar ainda mais o número de vagas... Né?

Aumentar a taxa de conclusão de curso
(menos desistentes, mais formandos), outra meta do REUNI, é bonito e tal. Mas, na prática, do jeito que a coisa anda nas Universidades brasileiras, isso significa diminuir a qualidade de ensino e passar nas disciplinas sem grande esforço. Quem tá indo bem na facul não desiste. Fato.

E essas metas devem ser cumpridas... Não é do tipo: "ah, seria bom, né". Se a Universidade não cumprir, ela não recebe o dinheiro do MEC. Aí é pior ainda: ganhou 2 mil novos alunos (a UFPR) e nem um tostão a mais. Bacana isso.

Eu apóio, muito, a inclusão social. Eu acho que deveria haver vagas para todos nas Universidades. Mas desse jeito eu não aceito. Pq só quem tá aqui dentro sabe o que tá ruim e o que precisa melhorar.

E aqui está ruim. Para mostrarmos (nós, estudantes) isso ao governo e aos próprios professores e administradores da UFPR, tiramos 2 no ENADE (e sim, ele foi boicotado). Agora o Lula sabe que tá ruim. Quero ver o que ele vai fazer em relação a isso.

Por isso eu sou contra o REUNI. Ele não resolve o problema, mas consegue enganar quem tá de fora. o REI-tor Moreira (hoje candidato a prefeito de Curitiba, oftalmologista e o responsável por aprovar o REUNI numa reunião do Conselho Universitário chamado às pressas e às escondidas, na ala da Maternidade do HC, enquanto a sala do COUN estava ocupada por estudantes) grita: "Eu aumentei o número de vagas nas Universidades". Fala que também pode ser repetida pelo presidente Lula.

E quem paga por isso sou eu.
É mole?